Toni Silva, referência da dança afro do Vale do Capão, circula novo espetáculo pela Bahia

Entre dança, música, poesia e ancestralidade, o espetáculo “Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral” convida o público a uma experiência sensorial e refl exiva sobre as heranças culturais afro-brasileiras e a potência do corpo como guardião de memórias coletivas.

Em um momento em que se ampliam os debates sobre representatividade e valorização das matrizes culturais africanas nos espaços educativos, Ibanujé propõe o encontro entre conhecimento acadêmico, memória coletiva e experiência artística. A obra contribui para o fortalecimento de práticas pedagógicas que promovem o respeito à diversidade, o combate ao racismo e a valorização da história e da cultura afro-brasileira.

Vale do Capão

Dançarino Toni Silva

Como parte da circulação contemplada pelo edital Quarta que Dança, promovido pela FUNCEB, o espetáculo Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral realizará quatro apresentações gratuitas durante o mês de julho de 2026, passando pelas cidades de Salvador (08/07), Itabuna (15/07), Irecê (22/07) e Ibititá (29/07). A programação inclui ainda ofi cinas formativas e rodas de conversa abertas ao público, estudantes, professores, artistas e agentes culturais. As atividades aprofundam os temas abordados em cena, promovendo refl exões sobre dança afrodiaspórica, ancestralidade, identidade cultural, processos criativos e o papel da arte como ferramenta de transformação social. Mais do que uma circulação artística, o projeto se confi gura como uma ação de intercâmbio, formação e fortalecimento dos vínculos entre arte, educação e comunidade.

Idealizado pelo historiador, coreógrafo, professor e bailarino Toni Silva, o espetáculo é resultado de uma trajetória dedicada à pesquisa, difusão e valorização das culturas afro-brasileiras. Natural de Ibititá, na Chapada Norte, Toni iniciou sua formação artística ainda na infância e, aos 13 anos, mudou-se para Salvador para estudar dança profi ssionalmente na Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Há mais de 20 anos radicado no Vale do Capão, na Chapada Diamantina, tornou-se uma das principais referências da dança afro e das práticas artísticas ligadas à ancestralidade negra na região.

Sua atuação reúne criação artística, pesquisa acadêmica e trabalho comunitário. É fundador e diretor da Companhia de Dança Ominirá, formada por artistas e moradores do Vale do Capão, além de idealizador do Festival Vale que Dança, importante encontro de danças afro-brasileiras e contemporâneas que promove apresentações, ofi cinas e debates sobre ancestralidade, identidade e corpos em movimento. Há quase duas décadas, também desenvolve ações de formação por meio de aulas gratuitas de dança afro e atividades culturais voltadas à comunidade.

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Dançarino Toni Silva

Licenciado em História, pós-graduado em Docência no Ensino da Dança e mestrando em Dança, Toni Silva constrói sua pesquisa a partir da Dança Afrodiaspórica com Simbologia dos Orixás, articulando conhecimento histórico, pedagogia e expressão corporal. Sua contribuição para a cultura baiana foi reconhecida com o Prêmio Nilda Spencer de Reconhecimento da Trajetória Cultural.

Com dramaturgia inspirada em pesquisas sobre os princípios simbólicos das tradições dos Orixás Oxum, Iansã, Ogum e Oxalá, o espetáculo traz referências culturais e simbólicas das matrizes africanas em uma linguagem cênica contemporânea. A proposta não busca reproduzir rituais religiosos, mas dialogar artisticamente com esses universos, referenciando seus signifi cados históricos, culturais e filosóficos.

Toni Silva observa que a criação de Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral parte da compreensão de que o corpo guarda histórias que não estão nos livros, mas nos gestos, nos ritmos e nas experiências coletivas. Segundo ele, “dançar é ativar essas memórias e permitir que elas continuem vivas no presente, atravessando o tempo e se reinventando em cena como força de identidade, resistência e continuidade ancestral.”

A narrativa se desenvolve em três atos simbólicos:

Ato I – Origem Evoca as memórias dos povos africanos e da diáspora por meio de gestos, ritmos e movimentos inspirados nas danças sagradas dos terreiros. O ato celebra a permanência de saberes ancestrais que atravessaram gerações e continuam vivos na cultura afro-brasileira.

Ato II – Corpo-Território Apresenta o corpo como espaço de inscrição da história, da fé, dos afetos e da resistência. Infl uenciado pela capoeira, pelo samba de roda e pelos toques dos atabaques, este momento revela o corpo como território de reconstrução identitária e pertencimento.

Ato III – Axé: o Futuro Ancestral Encerrando a trajetória, o espetáculo celebra a potência criadora do corpo negro e a força da ancestralidade como energia que conecta passado, presente e futuro. É um convite à continuidade, ao fortalecimento comunitário e à valorização das múltiplas expressões da cultura afro-brasileira.
Comprometido com a ampliação do acesso à cultura, o projeto contará com recursos de acessibilidade em todas as cidades de circulação. As rodas de conversa realizadas após os espetáculos terão interpretação em Libras. Pessoas cegas ou com baixa visão poderão participar de visita sensorial ao espaço cênico, realizada 30 minutos antes de cada apresentação, mediante solicitação prévia. Também estarão disponíveis abafadores de ruído para pessoas autistas ou com sensibilidade sensorial.

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Cartaz do espetáculo “Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral”

Mais do que um espetáculo de dança, Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral constitui uma experiência artística e educativa que promove refl exão, reconhecimento e respeito à diversidade cultural, reafi rmando a arte como espaço de memória, identidade e transformação social.

Agenda de apresentações e oficinas

● Salvador – 08 de julho no Espaço Xisto (ofi cina às 16h espetáculo às 19h)
● Itabuna – 15 de julho no Centro de Cultura Adonias Filho (ofi cina às 16h espetáculo às 19h)
● Irecê – 22 de julho no Colégio Estadual Prof. Jorge Rodrigues (espetáculo às 10h ofi cina às 14h)
● Ibititá – 29 de julho na Escola Municipal Hermano Marques Dourado (ofi cina às 16h espetáculo às 18h)

Serviço

Espetáculo: Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral
Concepção e Direção: Toni Silva
Classificação Indicativa: Livre
Duração: Aproximadamente 45 minutos
Ingressos: Gratuitos
Datas da circulação:

● Salvador – 08/07
● Itabuna – 15/07
● Irecê – 22/07
● Ibititá – 29/07

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