Por trás das montanhas da Chapada Diamantina existe um mundo que poucos conhecem. Enquanto milhares de visitantes percorrem trilhas, cachoeiras e mirantes da Chapada, um casal decidiu olhar para outro caminho: Para dentro da Terra.
Carol Azevedo e Alexandre Lobo são casados, espeleólogos e além de parceiros de vida também são parceiros neste projeto. Movidos pela curiosidade, pela natureza e pelo desejo de documentar o que existe além do que os olhos alcançam, eles estão desenvolvendo o Bahia Subterrânea, uma iniciativa dedicada à exploração, documentação e valorização do patrimônio subterrâneo baiano.
Há mais de dez anos, Carol Lobo está à frente da Pousada Rosa dos Ventos Capão, no Vale do Capão, município de Palmeiras, no coração da Chapada Diamantina. Próxima ao acesso para o Vale do Pati, considerado um dos mais belos trekkings do Brasil, a pousada consolidou-se como parte da trajetória de Carol no turismo da região.
Agora, a empreendedora se prepara para um novo projeto: o BAHIA SUBTERRÂNEA, iniciativa idealizada por ela para revelar, por meio da fotografia, a extraordinária riqueza das cavernas baianas. Essa relação ganha uma nova dimensão.

Carol Lobo no Complexo da Lapa Doce, em Iraquara
A empreendedora se prepara para um novo projeto: o Bahia Subterrânea, iniciativa idealizada por ela para revelar, por meio da fotografia, a extraordinária riqueza das cavernas baianas. O projeto ganha forma ao lado de seu marido, Alexandre Lobo, fotógrafo e espeleólogo com longa experiência na documentação de ambientes subterrâneos e idealizador do projeto Natureza Subterrânea, dedicado a aproximar o público das cavernas por meio da fotografia, da documentação e de novas tecnologias.
Ao lado de Alexandre, Carol inicia uma nova jornada: percorrer cavernas de diferentes regiões da Bahia e transformar suas paisagens escondidas em imagens, histórias e conhecimento.
A proposta vai muito além de entrar em cavernas. É uma jornada para conhecer um patrimônio natural escondido, registrar paisagens subterrâneas, compreender as histórias geológicas desses lugares e revelar ao público um universo que permanece invisível para a maioria das pessoas.

A Chapada Diamantina é conhecida mundialmente por suas montanhas, vales, rios, cachoeiras e grandes trilhas. Mas existe uma outra Chapada. Uma Chapada subterrânea, silenciosa e milenar.
Sob seus paredões rochosos estão cavernas, grutas, rios subterrâneos, salões e formações que foram moldados lentamente pela natureza ao longo de milhares e, em muitos casos, milhões de anos. É nesse ambiente que Alexandre e Carol pretendem concentrar suas expedições. Para eles, do lado de fora, existe a paisagem conhecida. Do lado de dentro, começa um território onde a luz desaparece, os sons mudam e cada metro percorrido revela uma nova possibilidade.

Complexo da Lapa Doce, em Iraquara
Embora a Chapada Diamantina seja o coração do projeto, a intenção do casal é ampliar gradualmente as expedições para outras regiões do estado. A Bahia possui uma das maiores riquezas subterrâneas do Brasil e abriga algumas das maiores cavernas conhecidas do país, além de inúmeras cavidades de importância geológica, biológica, paleontológica, arqueológica e paisagística. Entre os grandes exemplos estão a Toca da Boa Vista, a Toca da Barriguda e o Sistema Lapa Doce.
No Carste de Iraquara, uma das regiões espeleológicas mais importantes do Brasil, o subterrâneo revela uma impressionante diversidade de cavernas e paisagens. A região abriga o Sistema Lapa Doce e diversas outras cavidades de grande relevância científica e paisagística.
Em Morro do Chapéu, a monumental Gruta dos Brejões apresenta grandes galerias, rios subterrâneos e claraboias que transformam sua arquitetura natural em um cenário extraordinário.

O diferencial do projeto está também na parceria. Alexandre traz para as expedições sua experiência com espeleologia e fotografia subterrânea. Carol compartilha a jornada de exploração, participando das decisões, dos desafios, dos deslocamentos e das descobertas. A proposta é mostrar a espeleologia a partir de uma perspectiva humana: duas pessoas explorando juntas ambientes desconhecidos, aprendendo com cada experiência e construindo uma história em que o amor pelas cavernas e o relacionamento caminham lado a lado.
Em vez da figura clássica do explorador solitário, o Bahia Subterrânea aposta na força da parceria, trazendo um novo olhar para a espeleologia e valorizando a força e a sensibilidade de uma perspectiva feminina em um universo historicamente marcado pela presença masculina.

Foto casal: Alexandre Lobo e Carol Lobo
Fotografar uma caverna é muito mais do que registrar aquilo que os olhos conseguem enxergar. No ambiente subterrâneo, a escuridão transforma a fotografia em uma verdadeira construção de luz. Grandes salões, abismos, rios subterrâneos e formações minerais exigem planejamento, conhecimento técnico e diferentes pontos de iluminação para que suas dimensões possam ser reveladas em uma única imagem. É justamente nesse encontro entre espeleologia, exploração e fotografia que o projeto encontra sua identidade.

Gruta dos Brejões, em Morro do Chapéu
A experiência de Alexandre com a documentação de cavernas se une à trajetória de Carol no turismo e à relação construída por ela com a Chapada Diamantina. Juntos, eles pretendem transformar cada expedição em uma oportunidade de descoberta e registro.
O principal resultado do Bahia Subterrânea será a produção de um livro fotográfico dedicado ao patrimônio espeleológico da Bahia. A ideia é reunir imagens capazes de mostrar ao público aquilo que normalmente permanece restrito a pesquisadores, espeleólogos e exploradores.
O livro pretende unir fotografia, natureza, aventura e conhecimento, apresentando diferentes regiões e ambientes subterrâneos do estado. Mais do que um registro de expedições, a publicação pretende ser uma janela para uma Bahia que quase ninguém vê. Uma forma de trazer para a superfície paisagens que nasceram e permaneceram escondidas sob ela.
Explorar uma caverna exige planejamento, conhecimento, equipamentos adequados e respeito absoluto pelo ambiente. Cavernas são sistemas extremamente delicados. Formações minerais, organismos, cursos d’água e vestígios encontrados nesses ambientes podem fazer parte de processos naturais que levaram milhares ou milhões de anos. Por isso, o projeto também nasce com um compromisso de valorização e conservação.
Conhecer para preservar. Mostrar para proteger.
Ao revelar a beleza desses lugares, o Bahia Subterrânea pretende também despertar curiosidade e consciência sobre a importância de proteger o patrimônio espeleológico.
Por equipe editorial com informações e fotos de Alexandre Lobo e Carol Lobo em 26/10/2026.