TURISMO DE AVENTURA É UMA ATIVIDADE SEGURA?

O turismo de aventura tem registrado um crescimento exponencial nos últimos anos. Grande parte desse aumento está relacionada ao período de isolamento provocado pela pandemia, que despertou nas pessoas um forte desejo de reconexão com a natureza e de contato mais direto com a chamada “vida selvagem”.

Morrão, na trilha de Águas Claras (Palmeiras). Foto: Branca Resende

O ser humano é parte da natureza, e como tal, sente a necessidade de estar com os pés no chão, de sentir o vento e de ouvir o canto dos pássaros, o som das águas e até mesmo o silêncio das matas e, assim, se conectar com o meio ambiente. 

Cachoeirão, no trekking do Vale do Pati. Foto: Rogério Grillo

E é por isso que viajar para destinos como a Chapada Diamantina, que oferece tantas opções de atividades do turismo de natureza e para todos os gostos, é tão maravilhoso! 

Mas é bom lembrar que, quando estamos em tal território, existem diversos fatores externos que devem ser levados em consideração para que a aventura seja o mais segura possível

Após alguns acidentes naturais em outros destinos brasileiros, nos sentimos no dever de buscar informações esclarecedoras sobre a segurança durante as práticas desse tipo de turismo na Chapada Diamantina, quais são os riscos que existem e como mitigá-los.

Para isso, entrevistamos Carolina Chagas, consultora de turismo de aventura da empresa Daventura (ao final desta matéria você pode conferir a entrevista na íntegra). 

Carolina ressaltou a importância do planejamento prévio e da análise de riscos no local escolhido para cada aventura. Caso o local selecionado seja um rio ou cachoeira, por exemplo, é essencial checar a precipitação (probabilidade de chuvas) em toda a região e nas nascentes do rio em questão. 

Foto: Arquivo D’aventura

“Com a tecnologia a nosso favor, hoje existem uma série de apps na palma da nossa mão que podem auxiliar o condutor e o turista a analisar as condições do tempo antes de ir para a sua prática” – afirma a consultora.

A informação é peça-chave para a aventura ser bem-sucedida. O turista deve ser consciente dos desafios de cada passeio, e estar apto a eles. Além disso, é imprescindível a escolha de um condutor habilitado e experiente, munido de todas as ferramentas necessárias para a realização da empreitada! 

“Ele (o condutor), não só por qualificação, mas por  experiência de observação do local, conhece o comportamento do clima na região, conhece áreas de fuga em caso de emergência e deve ser capaz, inclusive, de abortar uma atividade mesmo depois de iniciada, caso avalie que envolve riscos não toleráveis para as pessoas” – exalta Carolina. 

Uma vez que alguma situação de emergência de fato ocorra, o turista preparado possuirá a principal ferramenta: a calma de quem sabe com o que está lidando. Assim, as chances de a situação ser contornada aumentam imensamente. 

Por isso, querido turista, planeje-se bem, siga as normas de segurança, contrate um guia local qualificado e nos vemos pelas trilhas da vida!

Entrevista com Carolina Chagas:

Guia Chapada: Como podemos prever fatores naturais, como cabeças d’água, dentre outros?

Carolina: Praticar atividade de aventura na natureza requer planejamento prévio e análise de risco. 

Riscos como cabeças d’água estão associados a períodos de chuvas, portanto monitorar a meteorologia é fundamental. É importante ressaltar que a análise de probabilidade de precipitação deve ser não apenas no local da atividade como em toda a região e nas nascentes dos rios.

Com a tecnologia a nosso favor, hoje existem uma série de apps na palma da nossa mão que podem auxiliar o condutor e o turista a analisar as condições do tempo antes de ir para a sua prática. 

É certo que existem outras análises mais complexas que devem ser feitas por especialistas, como riscos de desmoronamentos, por exemplo. E nesse ponto, fica evidente a responsabilidade de múltiplos atores requerida pelo turismo de aventura.  

Cada envolvido precisa fazer a sua parte no sistema turístico: órgãos públicos devem planejar, regular e fiscalizar; prestadores de serviço devem seguir a legislação e normas vigentes. 

Já o turista tem o importante papel de pesquisar empresas regulares e destinos seguros, assim como conhecer as habilidades requeridas para a atividade de sua escolha e preparar-se para realizar uma aventura segura.

Pico do Barbado – Foto: Açony santos

Guia Chapada: Como minimizar os riscos quando expostos a locais de natureza selvagem?

Carolina: Primeiro de tudo, planejar! Existe uma norma internacional, a ABNT NBR ISO 21.101 – Turismo de Aventura – Sistema de Gestão da Segurança – Requisitos, que dá as diretrizes para que os prestadores de serviço ofereçam uma atividade segura. 

A maior abordagem dessa norma é preventiva, isto é, conhecer e minimizar os riscos. Entende-se que a melhor forma de um turista se proteger é fazer uma aventura consciente dos perigos e cuidados que se deve tomar. 

Quando a gente vai para uma trilha sabendo que o dia será quente, temos de reforçar a nossa hidratação e proteção solar, assim como quando sabemos que determinada trilha íngreme está muito escorregadia por causa das chuvas, podemos decidir por não fazê-la, ou fazê-la destinando mais tempo, com mais calma e levando conosco equipamentos de suporte, como uma corda, por exemplo. 

Enfim, planejamento é a chave para uma prática mais segura. Os riscos existem, porém, é possível minimizá-los buscando a informação para a tomada de decisões adequadas a cada situação.

E, sem dúvida nenhuma, o condutor local formado, com toda sua experiência e treinamentos, é a melhor forma de se realizar uma prática segura. 

Ele, não só por qualificação, mas por experiência de observação do local, conhece o comportamento do clima na região, conhece áreas de fuga em caso de emergência e deve ser capaz, inclusive, de abortar uma atividade mesmo depois de iniciada, caso avalie que envolve riscos não toleráveis para as pessoas.

Guia Chapada: Uma vez que estamos em uma situação de emergência, como agir?

Carolina: Primeiro, precisamos ter calma. Isso é sempre mais fácil quando há o planejamento anterior, ou seja, quando estamos preparados. 

A partir daí é fazer análise de cenário: se possível, buscar um lugar seguro, verificar se a emergência gerou vítimas, qual o dano aparente dessas vítimas, se for o caso, buscar comunicação para um possível resgate e analisar recursos humanos e equipamentos disponíveis para eventual evacuação no momento correto. 

É importante ressaltar que cada situação de emergência requer uma análise específica, o importante é estar preparado com informações e equipamentos para agir corretamente.

Guia Chapada: Alguma outra recomendação direcionada ao turista que opta por este tipo de turismo?

Carolina: É fundamental que os turistas de aventura procurem empresas formalizadas, que sigam a legislação e as normas técnicas referenciais do mercado.
A Lei Geral do Turismo obriga as empresas dessa natureza a terem um sistema de gestão da segurança implementado e a seguirem as normas

AGRADECIMENTOS:

@daventurabr

@carol_chagas_

Leia também: 8 dicas de segurança para fazer trilhas pela Chapada Diamantina

Da redação, por Marcela Moura.

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