O Governo da Bahia deu um novo passo no processo de reconhecimento da Chapada Diamantina como Reserva Mundial da Biosfera. Após seis meses de elaboração técnica, a proposta foi oficialmente encaminhada ao Governo Federal na última quarta-feira (28), por meio da Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), ao Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Biodiversidade da Chapada Diamantina. Fotos: Açony Santos e Branco Pires.
A iniciativa busca consolidar a Chapada Diamantina como um território de relevância socioambiental, alinhado às três funções estabelecidas pelo Programa O Homem e a Biosfera (MaB), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco): conservação da biodiversidade e dos ecossistemas, promoção do desenvolvimento sustentável e fomento ao conhecimento científico aliado à gestão participativa.
Com o envio ao MMA, o documento segue agora para avaliação da Comissão Brasileira para o Programa O Homem e a Biosfera (COBRAMAB). Caso aprovado, o território poderá futuramente integrar a rede internacional de Reservas da Biosfera reconhecidas pela Unesco.
Segundo o secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, o encaminhamento da proposta representa um avanço importante para a política ambiental do estado. “Trata-se de um território estratégico, com grande diversidade ambiental e social, cuja construção envolveu estudos técnicos e ampla participação das comunidades. Se aprovada, será a primeira Reserva da Biosfera 100% baiana”, afirmou.

Reuniões preparatórias. Foto: Matheus Lemos- Ascom/Inema
O processo de reconhecimento de uma Reserva da Biosfera segue, em âmbito nacional, as diretrizes do Programa MaB. Na Bahia, equipes técnicas da Sema conduziram a elaboração da proposta em diálogo com diversas instituições e comunidades do território, com o objetivo de comprovar a relevância ambiental, social e a viabilidade de um modelo de desenvolvimento sustentável para a região.
Durante o mês de agosto de 2025, técnicos da Sema percorreram mais de 900 quilômetros, abrangendo oito territórios, em uma série de escutas e encontros com comunidades locais e demais atores envolvidos. A partir desse processo, a proposta foi revisada e ampliada, conforme explicou o coordenador do projeto, o biólogo Guido Brasileiro.
“A proposta é resultado de uma construção coletiva e promove a integração efetiva da sociedade ao projeto da Reserva da Biosfera da Chapada Diamantina. Inicialmente abrangendo 42 municípios, a poligonal foi ampliada para 66 municípios, contemplando 19 unidades de conservação e cinco territórios de identidade, em uma área total de 4.677.288 hectares”, detalhou. O território reúne características singulares, envolvendo três biomas — Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado —, além de vegetação endêmica do Brasil e a fitofisionomia de campos rupestres.
Concluída essa etapa, a proposta foi formalmente submetida ao MMA e, em seguida, será analisada pela COBRAMAB, responsável por encaminhar a candidatura à Unesco.
Após a avaliação pelo Conselho Internacional do Programa MaB, a área poderá ser reconhecida e integrada à Rede Mundial de Reservas da Biosfera. Caberá ao país a implementação e a gestão contínua da reserva, com foco na conservação ambiental, no desenvolvimento sustentável e na participação social.

Ipês de cores variadas são riquezas da Chapada. Foto: Ana Meneses.
As Reservas da Biosfera estão previstas na legislação brasileira, por meio da Lei nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Diferentemente das Unidades de Conservação, seu reconhecimento ocorre em âmbito internacional, concedido pela Unesco no contexto do Programa O Homem e a Biosfera (MaB).
Atualmente, o Brasil possui sete Reservas da Biosfera reconhecidas: Amazônia Central, Caatinga, Cerrado, Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (SP), Mata Atlântica, Pantanal e Serra do Espinhaço (MG).
Fonte: Ascom/INEMA