ESTUDANTES DE ESCOLAS DE MUCUGÊ PARTICIPAM DA FLIGÊ COM ATRAÇÕES TEATRAIS E PROJETOS PEDAGÓGICOS

Temas literários entram no cotidiano das escolas e alunos se integram à programação da Festa Literária de Mucugê (Fligê) em atrações artísticas

Fligê só começa oficialmente no dia 10 de agosto, mas durante todo o ano letivo os estudantes das escolas públicas de Mucugê, na Chapada Diamantina, já vem trabalhando temas que serão tratados durante os dias do evento. Além do trabalho em sala de aula, a Fligê convida os alunos da região a fazerem parte da programação, com oficinas e apresentações artísticas.

Estudantes de Mucugê – Foto: Marcos Paraguassú

Conexão que dá frutos – Desde a primeira edição, em 2016, a Festa Literária tem o compromisso de aproximar os estudantes ao evento. “A participação dos estudantes em todas as edições da Fligê, desde o primeiro momento, é um diferencial, porque esses estudantes, tanto do Ensino Fundamental, como do Ensino Médio, são, praticamente, o coração da Fligê. Nessa conexão, é onde a gente consegue estabelecer a interação do público leitor, da comunidade escolar com o leque de escritores e escritoras que participam da Feira”, afirma a Curadora da Fligê, Ester Figueiredo.

Segundo o coordenador pedagógico da Fligê, Marcos Paraguassú, 23 escolas do município, entre municipais, estaduais e particulares, trabalharam com os autores, obras e temas da Fligê este ano. Dentre as atividades realizadas pelos alunos e professores estão saraus, produção de cartazes, pesquisas sobre as obras e os autores que participarão no evento. “Os alunos saem pelas ruas recitando poesias e apresentando a Feira e os autores para a população e falando sobre a importância da leitura”, afirma Paraguassú. 

Os estudantes também participam da programação artística da festa. No dia 10 de agosto, às 16h, escolas, grupos culturais e fanfarra participam do Desfile Literário que sai da Praça da Igreja Santa Isabel para percorrer as ruas da cidade. Além disso, os trabalhos artísticos dos alunos irão se transformar em um livro de Fotopoemas, que será lançado no dia 12 de agosto, às 10h30, na Praça dos Garimpeiros, e às 9h do dia 14 de agosto, no Estande Fligê/Coreto Literário.

Estudantes de Mucugê – Foto: Marcos Paraguassú

“No livro de Fotopoemas, os estudantes foram buscar dentro da comunidade, com as pessoas mais velhas, onde vivem os ofícios, as brincadeiras e as festas que são passadas de geração em geração”, conta Marcos Paraguassú.

E os frutos dessa aproximação já começam a ser vistos na postura que esses estudantes têm em relação à Literatura e à escrita. “Já nesta quinta edição da Fligê, a gente tem relatos de estudantes que dizem que, além de gostar de escrever, já se colocam no papel de escritores”, conta Ester. O conteúdo sobre Literatura nas escolas se transforma, acrescentando um evento importante que ocorrerá na cidade dos estudantes. “A prática de ensino de Literatura na escola oferta muitas possibilidades de interpretação para além do contexto da escola”.

“Essa participação dos estudantes só é possível por causa do planejamento que os professores elaboram ao longo do ano para poder atender à temática anual de cada feira e por causa do envolvimento e parceria das escolas municipais e, também, das escolas estaduais”, afirma a Curadora da Fligê, Ester Figueiredo.

Estudantes encenam resultados de Oficina de Teatro

Além do trabalho nas escolas, os estudantes de Mucugê terão a chance de se apresentar, durante a Festa Literária, A Leitura Dramática Música de Pedra: Garimpo de lembranças de Mucugê, que será encenada às 20h da sexta-feira, no dia 12 de agosto, no Centro Cultural.

O texto é uma adaptação da obra Mucugê por Mucugê, de Rebeca Serra, e será trabalhado durante a Oficina de Teatro que está sendo ministrada pelo ator, diretor e professor de Teatro Sergio Farias, da Universidade Federal da Bahia, no período de 1 a 13 de agosto em Mucugê. 

Sergio Farias participa da Fligê – Foto: divulgação

“Os idosos relataram para a autora a vivência deles, em diversos temas. Vão participar pessoas da região, como Dona Semira, uma musicista que toca realejo e o mestre Zazá da Sanfona. O espetáculo está em processo de criação. Vamos criar juntos com os participantes da oficina”, afirma Sérgio Farias.

Durante as oficinas, os instrutores levarão os estudantes a trabalharem improvisações sobre os temas principais do espetáculo:  Infância, Sertão e Ancestralidade. Segundo os organizadores, a história das lavras diamantinas da região de Mucugê, certamente estará também em pauta ao se tratar da ancestralidade, por meio dos relatos de idosos, os quais compõem o livro Mucugê por Mucugê, principal texto da Leitura. Foram 25 vagas gratuitas oferecidas para estudantes e demais moradores a partir de 14 anos.

Além da apresentação final, a proposta estimula a criação de grupos artísticos na cidade, mediante a realização desses encontros entre os artistas. A ideia é fomentar, com a oficina e o desenvolvimento pedagógico nas escolas, um movimento cultural permanente em Mucugê e cidades vizinhas.  

Assessoria de Comunicação

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