O Vale do Capão será palco de uma programação dedicada à memória das mulheres que participaram da história da capoeira na comunidade. Nos dias 9 e 10 de outubro, o projeto Era Eu, Era Minha Mana, realizado pelo Coletivo Angola das Matas, promove uma série de atividades gratuitas que reúne exibição de minidocumentário, mesa de debate, oficinas e rodas de capoeira, com foco na participação feminina e nos desafios da convivência no território.

Cartaz Oficial
Ancorado nos fundamentos da capoeira angola enquanto manifestação afro-brasileira de resistência, convivência comunitária e inclusão, o projeto busca mapear, registrar e difundir a trajetória das mulheres capoeiristas do Vale do Capão. A iniciativa também reflete sobre o protagonismo feminino na capoeira, pauta que integra a atuação do Coletivo Angola das Matas desde sua criação.

Foto: Juliana Mello
A pesquisa que deu origem ao projeto parte de uma série de perguntas sobre a chegada e a disseminação da capoeira no Vale do Capão, em um período em que o cotidiano da comunidade era marcado pelas tradições rurais. Entre os pontos investigados estão as formas de prática e transmissão da capoeira, as experiências das primeiras mulheres e meninas que tiveram acesso à modalidade e os caminhos que possibilitaram essa participação.

Vale do Capão
Como parte desse processo, será produzido um acervo audiovisual de livre acesso e uma página na internet dedicada à preservação dessas memórias. O projeto também resultará em um minidocumentário construído a partir dos relatos de mulheres de diferentes gerações que participaram da história da capoeira no território.

Vale do Capão
Para o filme, foram convidadas Joanita Rocha, Vilma Araújo e Sonia Marques da Rocha, três mulheres nativas do Vale do Capão que fizeram parte dessa trajetória. Suas experiências ajudam a construir uma narrativa sobre como a capoeira chegou à comunidade e se desenvolveu ao longo do tempo. A pesquisa é mais ampla e também reúne conversas com outras mulheres que participaram desse percurso.
A programação começa na sexta-feira, 9 de outubro, no Coreto da Vila, às 17h, com a abertura do evento e a exibição do minidocumentário. Em seguida, às 17h30, acontece a mesa de debate “Memória, inclusão e interseccionalidade na Capoeira”, com Mestra Brisa, Vilma Araújo, Cristine Zonzon e Alice Browne. A noite termina com uma roda de capoeira, às 19h.
No sábado, 10 de outubro, as atividades seguem no Colégio Rufino Rocha. Às 9h, serão realizadas oficinas de capoeira para crianças de 6 a 12 anos, com Cristine Zonzon, na capoeira angola, e Franca Astete e Leny Pereira, na capoeira regional.
A programação continua à tarde com oficina de movimento, às 14h, conduzida por Mestra Brisa, e oficina de musicalidade, às 15h30, com Aline Silveira. O encerramento será marcado por uma roda de capoeira às 17h30.

Foto: Juliana Mello
Todas as atividades têm protagonismo de mulheres capoeiristas e propõem o encontro entre diferentes gerações, gêneros, raças e histórias. A programação também amplia a discussão sobre as discriminações e opressões que atravessam a prática da capoeira, tendo como contexto as transformações do Vale do Capão, o crescimento do território e a diversificação de sua população.
O projeto Era Eu, Era Minha Mana é realizado pelo Coletivo Angola das Matas e foi contemplado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e execução do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado.
A programação é gratuita. As oficinas têm inscrição e as informações sobre o cadastro serão divulgadas pelo projeto.
Era Eu, Era Minha Mana
9 e 10 de outubro de 2026
Vale do Capão – Chapada Diamantina
Coreto da Vila e Colégio Rufino Rocha
Entrada gratuita
Instagram: @eraeu.eraminhamana
Site: eraeueraminhamana.com.br
Contato: eraeueminhamana@gmail.com