Lençóis, na Chapada Diamantina (BA), agora faz parte de um seleto grupo de destinos que integram o recém-lançado Guia do Afroturismo no Brasil, promovido pelo Ministério do Turismo (MTur) com apoio da UNESCO. A Comunidade Quilombola do Remanso, localizada na zona rural do município, foi uma das 44 experiências selecionadas em todo o país e apenas uma entre 16 iniciativas da região Nordeste. A conquista foi fruto da articulação entre a própria comunidade, a Diretoria da Promoção de Igualdade Racial e a Secretaria Municipal de Turismo (Sectur Lençóis).
Passeio pelo Marimbus, na comunidade quilombola do Remanso, em Lençóis. Foto: Rolê Família
“Estamos muito felizes, porque da região Nordeste foram selecionadas 16 experiências, e nós conseguimos fazer parte deste Guia”, comenta Laura Garcia, secretária de Turismo de Lençóis. A iniciativa reconhece e valoriza a contribuição da população negra na formação da identidade nacional, por meio do turismo de base comunitária, antirracista e ancestral.
O Quilombo do Remanso oferece uma experiência genuína e imersiva. Os visitantes são recebidos pelos griôs da comunidade, guardiões da sabedoria oral, em uma escola que se transforma em espaço de memória viva.
Comunidade quilombola do Remanso, em Lençóis. Foto: Agência Pedra Lascada
A vivência inclui cortejos culturais, oficinas de saberes tradicionais — como a produção artesanal de farinha — e um passeio de barco pelas águas calmas do chamado “mini pantanal” dos Marimbus, um dos cenários mais pitorescos da Chapada. Durante o passeio, é possível contemplar a rica biodiversidade da região, com destaque para a observação de aves e outras espécies da fauna e flora nativas, além de conciliar com um banho refrescante no Roncador.
Banho do Roncador, em Lençóis. Foto: Agência Pedra Lascada
Biodiversidade no passeio pelo Marimbus, na comunidade quilombola do Remanso, em Lençóis. Foto: Rolê Família
O roteiro do Remanso é resultado de uma longa construção coletiva desde 1998 promovida pela Associação Grãos de Luz e Griô (@graosdeluzegrio) através das “Trilhas Griôs de Turismo Comunitário, Educação e Tradição Oral”, uma referência de economia solidária e comércio justo, utilizando práticas da Pedagogia Griô (@pedagogiagrio) para o fortalecimento da identidade e ancestralidade da comunidade e de seus visitantes.
As “Trilhas Griôs” nasceram em 1998 da caminhada de um griô aprendiz conhecido como “Velho Griô”, feito pelo educador Márcio Caires, com mestras griôs de tradição oral de Lençóis e do Brasil, uma figura encantada e mítica que caminhava entre as comunidades aprendendo e ensinando as culturas orais. Os saberes das parteiras, rezadeiras, pescadores(as), artesãs(ãos), erveiras(os), agricultores(as), cantadoras(es), sambadoras(es), poetas populares e outros ofícios de tradição oral são integrados a um roteiro com princípios de educação cultural, ambiental e de economia solidária nos pontos turísticos da exuberante Chapada. As principais comunidades envolvidas das Trilhas Griôs de Turismo Comunitário são quilombolas, do campo, de assentamento e de terreiro.
As Trilhas Griôs se aperfeiçoaram ainda pelo intercâmbio com experiências de turismo comunitário com o projeto Bagagem (SP), da Prainha do Canto Verde (CE), e a Fundação Casa Grande no Cariri (CE).
Na Chapada foram 10 comunidades parceiras que participaram da formação nas Trilhas Griô e comungaram da ideia de sustentarem-se de forma solidaria e comunitária em harmonia com o meio ambiente por meio do turismo comunitário, fortalecendo a identidade e ancestralidade de seus territórios: Além do Remanso, a comunidade quilombola da Iuna, Terreiro da Capivara de Lençóis, comunidade quilombola da Barra e Bananal de Rio de Contas, Assentamentos do Baixão, Colônia e Rosely Nunes de Itaetê, além de Baixão e Mundo Novo de Ibicoara. As criações dos roteiros das Trilhas Griôs foram coordenadas por jovens afrodescendentes, educadores, mestras(es) griôs e lideranças, fomentando a autonomia das comunidades na venda e na gestão de seus empreendimentos, com pousadas familiares e restaurantes.
A experiência das Trilhas Griô foi compartilhada em formações para mais de 130 comunidade no Brasil, através da Rede Ação Griô Nacional e da Rede da Pedagogia Griô.
Essa iniciativa reforça o papel do afroturismo como motor de inclusão, desenvolvimento sustentável e fortalecimento da cultura afro-brasileira. O Guia destaca roteiros liderados por afroempreendedores, com experiências gastronômicas, culturais, religiosas e históricas espalhadas por todas as regiões do Brasil. A seleção das experiências seguiu critérios técnicos, incluindo o registro no Cadastur e atuação em municípios do Mapa do Turismo Brasileiro.
O Guia completo pode ser acessado neste link oficial do Ministério do Turismo.
Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Lençóis é o portal da Chapada Diamantina, graças à sua infraestrutura hoteleira, com mais de dois mil leitos, restaurantes de alto nível e voos regulares. Ao longo dos anos, o município vem ganhando ares cosmopolitas, com residentes dos quatro cantos do mundo.
Os seus principais atrativos são os casarios do século XIX; a história e cultura herdadas do garimpo; a Serra do Sincorá e os atrativos naturais de fácil acesso em todo o seu entorno. Muitos estão localizados perto do perímetro urbano, como os poços do Serrano.
A cidade também concentra o maior número de agências de turismo, que organizam passeios por toda a Chapada Diamantina. O lugar ainda oferece uma agenda cultural diversificada, com opções que variam de festas tradicionais, como o São João, a shows de MPB, com destaque para o Festival de Lençóis.
Em 2019, a cidade foi eleita o melhor destino turístico nacional segundo uma pesquisa online feita com mais de 25 mil pessoas.
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