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Cineasta, fanfarra e chorinho abrem FLICH em Lençóis

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Começou na quinta-feira (4) a FLICH em Lençóis, num Mercado Cultural repleto de livros à venda, stands de editoras e revistas pendendo do teto. Por volta das 20h, a Praça dos Nagôs foi tomada por um desfile enérgico: era a fanfarra da cidade abrindo alas, com bailarinas e guarda-chuvas coloridos, para o evento lançado pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB/Seabra). Moradores e turistas aplaudiram a banda com entusiasmo, do passeio e das mesas ao redor do espetáculo, que vibraram com a bateria e  os metais. “É raça e vibração!”, cantou o grupo, entre coreografias e revezamentos.

Depois da apresentação, uma voz assumiu a mesa de estreia. Nascido e criado em Lençóis, o cineasta Orlando Senna discursou sobre “A literatura, os sonhos e os Lençóis” — pois era em tendas que os garimpeiros se abrigavam na Serra do Sincorá, em meio à Chapada Diamantina, e essas tendas, vistas de longe, pareciam lençóis. Ele lembrou que a cidade surgiu com uma corrida pelo diamante, que atraiu milhares de migrantes ao município a partir do século 19. Figuras literárias, os garimpeiros: “O garimpeiro é um ser que sonha, principalmente quando está acordado. Ele completa a realidade com o onírico, ou vice-versa”, proseou o Senna.

Tais personagens, e o cenário deslumbrante das montanhas baianas, deram inspiração para incontáveis autores que viveram na região, da qual Lençóis é uma referência, além de turística, literária. “Deve haver muita poesia inédita, perdida ou guardada, nas gavetas da cidade.” A ex-mulher de Vinicius de Moraes Gessy Gesse sentava-se próxima à mesa, atenta ao discurso do cineasta, muito querido dos artistas, empresários e políticos da cidade. Senna fundou a escola de cinema em Cuba, influiu no setor brasileiro de audiovisual e produziu vários filmes, de acordo com alguns do seu respeitável público local. Na literatura, ele lançou em 2009 “Os sonhos e os Lençóis”, que conta a história de vida um garimpeiro da região e suas reflexões sobre as consequências de uma vida à procura de pedras preciosas.

Para encerrar o evento de abertura da FLICH, o grupo Choro Labuta apresentou-se de terno branco e chapéu, tocando chorinhos e versões choradas de músicas brasileiras imortais. Liderados pelo flautista Marcel Jaques, esses sambistas lençoenses têm como missão resgatar e divulgar a cultura musical na Chapada Diamantina.

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Foto: Charlotte Richard

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