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sábado, 22 junho, 2019 às 14:34 | Atualizado em: 23 junho, 2019 às 22:41

Turismo de Conhecimento: Observação de Aves na Chapada Diamantina

Pantanal do Marimbus revela-se como local potencial para a prática


Maiza Andrade


Em apenas duas horas de passeio de barco pelo Marimbus – o pantanal da Chapada Diamantina – é possível avistar pelo menos 33 espécies de aves. Este foi o resultado de uma aula de campo realizada pela bióloga Adriana Caribé Nunes Marques em parceria com os estudantes da Escola Municipal Therezinha Guerra de Athayde Macedo, da comunidade quilombola do Remanso, no município de Lençóis.

Passeio de canoa pelo Pantanal de Marimbus. Foto: Florestano Tavernier

O Marimbus é uma extensa área alagada que abarca as cidades de Andaraí e Lençóis. É formada pela contribuição de vários rios da região que deságuam no Rio Paraguaçu, e é o habitat de espécies aquáticas como o socó-boi, xanã, frango-d´água e o marreco-ariri. “Foi uma experiência muito positiva e motivadora, tanto para os estudantes que já trabalham como guias no Marimbus, quanto para mim, que descobri um potencial de pesquisa e observação de aves riquíssimo” destacou Adriana.

Vista panorâmica do Marimbus. Foto: Açony Santos

Socozinho, Butorides striata. Foto: Fernando Moreira Flores

Frango D’água Azul, Porphyrio Martinica. Foto: Fernando Moreira Flores

Frango-d’água, Gallinula chloropus. Foto: Fernando Moreira Flores

Socó boi, Tigrisoma lineatum. Foto: Fernando Moreira Flores

Para ela, o número de espécies de aves do Marimbus é bem maior do que o encontrado pois, apesar do curto espaço de tempo, a observação foi feita em um horário que não é o mais adequado – das 9 às 11h da manhã. O melhor horário para observação de aves é nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde, quando as aves saem dos seus abrigos ou estão retornando.

Adriana conta que a ideia de agregar a observação de aves ao conteúdo didático surgiu após a sua participação no primeiro Workshop de Observação de Aves, promovido pelo Clube de Observadores de Aves da Bahia (COA-BA), que aconteceu em Mucugê, ano passado. “Eu já tinha interesse pelas aves e com a formação na pedagogia Griô, que valoriza a identidade local e sendo professora no Remanso, resolvi trabalhar com o conhecimento que os estudantes tinham sobre as aves”.
Foram feitas entrevistas com moradores locais, principalmente os mais velhos, sobre as aves que conheciam, os seus cantos, histórias e cantigas tradicionais relacionadas a elas. Com todo esse conteúdo e mais a lista das aves observadas na aula de campo, Adriana percebeu que tinha um rico material reunido e veio então a ideia de montar banners para mostrar a riqueza da avifauna do Remanso. Com patrocínio do Grãos de Luz e Griô para a produção de dois banners, que ficariam na comunidade e na escola, ela viu que a ideia poderia ir além e foi em busca de mais apoio para que essa experiência pudesse chegar às outras escolas do município de Lençóis.

Banner e Jogo da memória
Feliz com o resultado – ela conseguiu arrecadar R$ 2.450,00 junto a empresários de turismo locais e amigos. Adriana não só conseguiu confeccionar 18 banners mas também um jogo da memória – Remanso das Aves – com 52 peças alusivas a 26 espécies da avifauna do Marimbus.

Jogo da memória Remanso das Aves

Banner Aves da APA Marimbus-Iraquara

Moradores do Remanso brincando de jogo da memória.

Concebido pela bióloga, com a colaboração do coordenador do Avistar – principal evento de observação de aves do país, Guto Carvalho, o jogo foi confeccionado em uma fábrica de brinquedos em Goiânia e teve as ilustrações cedidas pelo Handbook of the Birds of the World por meio da pesquisadora Erika Hingst-Zaher do Instituto Butantan de São Paulo. Parte desta produção Adriana realizou no seu período de férias escolares, e com o retorno às aulas ela agora se ocupa também com a tarefa de ir as escolas entregar o jogo da memória. Os professores recebem o material juntamente com o plano de aula baseado na pedagogia Griô e fazem uma rodada do jogo. “Nossa expectativa é que esse material estimule a observação de aves e o reconhecimento da importância delas para o ecossistema e para a
preservação ambiental, pois a presença das aves indica que o ambiente está preservado”, afirma a bióloga e educadora.



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