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Responsável por Parque da Chapada Diamantina suspeita de incêndios criminosos

O chefe substituto do Parque Nacional da Chapada Diamantina, César Gonçalves, disse nesta segunda-feira, 23, que os sucessivos incêndios que atingem a região desde o dia 26 de outubro são causados pela ação do homem. “Incêndios naturais são causados por tempestades de raios. Não é o caso. Sabemos que a causa é humana”, afirmou, após uma equipe de especialistas avaliar as ocorrências.

Para Gonçalves, as motivações podem ser diversas, como colocar fogo para renovar pastagens ou para diminuir a vegetação e facilitar a caça.

Brigadistas da BRAL no combate na Serra do Mandassaia no dia 19 /11/2015, em Lençóis. Foto: Açony Santos

Brigadistas da BRAL no combate na Serra do Mandassaia no dia 19 /11/2015, em Lençóis. Foto: Açony Santos

Em toda a Chapada Diamantina – região que extrapola os limites do Parque Nacional -, mais de 240 homens estão trabalhando para controlar o fogo, que já consumiu aproximadamente entre 15 mil e 30 mil hectares, segundo a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) da Bahia. Os incêndios florestais sucessivos já afetaram os municípios de Lençóis, Palmeiras, Mucugê, Ibicoara, Jacobina, Jaborandi e Andaraí.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina é uma área de preservação ambiental e turismo ecológico, que conta com uma área de 152.000 hectares. De acordo com Gonçalves, aproximadamente 10 mil hectares já foram queimados, o que equivale a 6,5% da área do Parque.

Ele disse, em entrevista à Agência Brasil, que a região normalmente tem temporadas de queimadas no período entre julho e novembro. No entanto, a intensidade dos incêndios está mais alta este ano, devido ao fenômeno do El Niño, “que é o mais forte registrado na história”, afirmou o chefe substituto do PNCD. O fenômeno, que tem causado forte seca na região nordeste, dificulta o combate ao fogo.

Brigadistas da BRAL no combate na Serra do Mandassaia no dia 19 /11/2015, em Lençóis. Foto: Açony Santos

Brigadistas da BRAL no combate na Serra do Mandassaia no dia 19 /11/2015, em Lençóis. Foto: Açony Santos

Reforços estão sendo enviados para ajudar na tarefa. Sábado passado (21), 47 bombeiros de Brasília chegaram ao local. Ontem (22), 40 homens da Defesa Nacional também se juntaram à força-tarefa, que conta com bombeiros militares, brigadistas voluntários, técnicos da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia, além da colaboração da Força Aérea Brasileira, do Exército e da Defesa Nacional.

A visitação no Parque Nacional, como um todo, não está interrompida. Apenas as trilhas Pai Inácio-Águas Claras; Pai Inácio-Barro Branco e Conceição dos Gatos-Águas Claras estão em áreas de incêndios.

Na semana passada, dia 16, o Ministério Público Federal (MPF) em Irecê, Bahia, instaurou procedimento para apurar as providências adotadas pelos órgãos competentes para combater os focos de incêndio. Foram oficiados a unidade do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) responsável pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina, a Superintendência do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na Bahia e a Secretaria do Meio Ambiente no Estado da Bahia.

Entre as informações solicitadas estão a quantidade, localização e extensão de todos os focos de incêndios, principalmente os que se situam no interior e nas proximidades do Parque Nacional da Chapada Diamantina; as providências adotadas por cada órgão visando o combate ao incêndio; e os recursos materiais e humanos utilizados.

Neste momento, o Ministério Público aguarda o recebimento das informações para dar seguimento à investigação e adotar as medidas cabíveis.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em 1985 e abrange os municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.

 

Edição: Maria Claudia
Foto de capa: Açony Santos
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