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15 anos de história e perseverança

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Vanessa da Mata no palco do Festival de Lençóis 2013. Foto: Renata Reis

Cerca de 25 mil pessoas lotaram as ruas do centro histórico entre os dias 10, 11 e 12 de outubro, no 15º Festival de Lençóis, para conferir cerca de 20 atrações, entre bandas e grupos nacionais, regionais e locais. O sucesso não é à toa: além de trazer nomes de peso da música brasileira, como Gal Costa e Gilberto Gil, o evento promove a diversidade e dá visibilidade aos artistas locais.

Um trabalho que demonstra resistência no objetivo de levar música de qualidade gratuita para o interior do país. Foi essa a mensagem que os artistas deixaram sobre os 15 anos do evento. Para a cantora Vanessa da Mata, uma das principais atrações desse ano, “no Brasil, é cada vez mais difícil conseguir patrocínio para a realização de festivais, ainda mais em lugares distantes, onde o acesso é sempre muito caro. Adoraria que existissem outros espalhados pelo país. O festival da Chapada dos Veadeiros, por exemplo, não sabemos se conseguirá continuar”.

Sem falar que os festivais são espaços para apresentar jovens talentos, completa Vanessa. “O novo artista não pode depender apenas de barzinho, esse tipo de evento é imprescindível para conhecermos coisas novas e o público não se prender apenas ao que toca no rádio e na TV”.

Um exemplo disso é a banda Baiana System, revelação da música regional, que esteve entre as principais atrações, levantando o público no sábado, último dia de festa. O trabalho do grupo é inovador: eles propõem um diálogo harmônico entre a guitarra baiana e as sonoridades africanas e a psicodelia do dub.

“Nós ficamos impressionados com o tamanho do festival. O público recebeu a gente muito bem, o que nos dá vontade de voltar mais vezes. Lamentamos, pois, às vezes, é mais fácil conseguirmos apoio para tocar fora do país do que no interior da Bahia. Por isso, o Festival de Lençóis está de parabéns por nos dar oportunidade de apresentarmos na região”, afirma Robertinho Barreto, guitarrista da banda.

Toni Garrido fala a diversidade musical que o Festival de Lençóis propõe para o público. Foto: Renata Reis

Toni Garrido fala a diversidade musical que o Festival de Lençóis propõe para o público. Foto: Renata Reis

Para o vocalista do Cidade Negra, Toni Garrido, que se apresentou na sexta-feira, o público tem uma grande oportunidade de apreciar diversos estilos musicais que não são tão acessíveis no dia a dia. “Aqui no palco já passaram atrações de jazz, chorinho e música de raiz africana, uma riqueza cultural enorme”, destaca Garrido.

Em um país que cultua tanto a música, não ter apoio para os festivais é uma incoerência para a cantora Margareth Menezes. “A Suíça é um país muito menor e possui 300 festivais apenas no verão! Nós temos uma produção musical enorme que não tem onde circular”, afirma. Em seus 26 anos de carreira, a cantora acompanhou a trajetória do festival e reconhece a sua importância e perseverança. “Desejo que o Festival de Lençóis complete muitos anos a mais e que venham outros”, afirma a cantora.

 

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