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Cineclube Fruto do Mato levanta questões de gênero e raça na Chapada Diamantina

Quando se mudaram para Lençóis, na Chapada Diamantina, interior da Bahia, os cineastas Renata Matos e Juca Badaró da Cinepoètyka Filmes,  perceberam que a cidade não contava com nenhuma sala de cinema. A única que havia no município tinha sido desativada muitas décadas atrás. Para tentar reverter uma carência de mais de 40 anos de acesso à cultura audiovisual entre a população da região, que hoje chega a 12 mil habitantes, eles criaram o Cineclube Fruto do Mato, que é realizado com o Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô. Em 2017,  foram 26 sessões e debates, com mais de 2 mil espectadores e participação de cineastas como Orlando Senna, Conceição Senna, Edgard Navarro, Roque Araújo, Lázaro Faria, José Araripe Jr., Cíntia Maria, Jamile Coelho, entre outros.    

A primeira edição do projeto levou à população de Lençóis filmes que contavam um pouco da história do audiovisual baiano. Neste ano, a Cinepoètyka Filmes conseguiu o apoio do Rumos Itaú Cultural para realizar a segunda etapa, que acontece de março a agosto de 2019, com a proposta de apresentar aos moradores e aos visitantes da região filmes documentários e de ficção que debatam questões de gênero e raça. Para isso, a curadoria irá privilegiar obras dirigidas por mulheres e cujas temáticas estejam relacionadas ao feminismo e também às questões LGBTQ.  

“A cinematografia baiana, assim como a mundial, é protagonizada por homens brancos, e a população de Lençóis, assim como a brasileira, é majoritariamente negra e feminina. Dessa forma, uma vez apresentada a história do cinema baiano, queremos agora trazer narrativas contadas por mulheres negras. Vamos ouvir as cineastas que estão realizando um cinema lindo, que se aproxima do público, fortalece a identidade negra e ensina às pessoas brancas como combater o racismo”, conta a idealizadora do projeto, Renata Matos.

O cinema emociona. Foto: Acervo Cineclube Fruto do Mato

Programação
Entre os filmes selecionados estão:
O Dia de Jerusa (2014), curta premiado de Viviane Ferreira


Cartaz Filme O Dia de Jerusa.

Kbela (2015), curta premiado de Yasmin Thainá


Cartaz Filme Kbela.

Café com Canela (2017), longa-metragem de Ary Rosa e GlendaNicácio, premiado no Festival de Brasília.

Cartaz Filme Café com Canela.

Nas comunidades quilombolas do Remanso e de Iúna também será ministrada uma oficina de animação em agosto deste ano, coma presença das cineastas Cíntia Maria e Jamille Coelho.

Todas as sessões serão seguidas de debates mediados pela equipe do projeto, e neles as diretoras poderão falar sobre suas experiências no campo audiovisual e sobre a responsabilidade do cinema na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. “O audiovisual, como trincheira de poder e de produção de significado, também se revelou uma potente ferramenta de transformação social. O cinema, como discurso que durante muito tempo esteve sob o domínio das classes mais favorecidas, hoje sofreu um importante processo de democratização, que está possibilitando novos olhares e posicionamentos narrativos sob a ótica das mulheres e dos negros”, defende Juca Badaró.

Além dos moradores de Lençóis e de comunidades quilombolas que englobam todas as idades (crianças a partir de 10 anos, adolescentes, jovens e adultos), o projeto pretende atender ainda aos turistas que visitam a região durante o ano inteiro.


Encerramento do projeto no Teatro de Arena, em 2017. Foto: Acervo Cineclube Fruto do Mato

O Cineclube Fruto do Mato é realizado no Teatro de Arena, gratuito, com esteiras e almofadas, num clima descontraído, permitindo a todas as pessoas participarem. O cinema é para todo mundo!

Confira, em breve, as datas das exibições aqui no nosso site e nossas redes sociais! 😉

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