Orlando Senna, um dos maiores nomes do cinema brasileiro e um dos filhos mais ilustres da Chapada Diamantina, morreu nesta terça-feira 09 de junho de 2026, aos 86 anos. Cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural, foi uma figura fundamental do Cinema Novo e uma referência na construção do audiovisual brasileiro contemporâneo. Nascido em Lençóis, em 1940, deixou uma obra reconhecida nacional e internacionalmente, além de um legado que ajudou a projetar a cultura brasileira para o mundo.
Ao longo de mais de seis décadas de atuação, Senna construiu uma trajetória marcada pela inovação, pelo compromisso com a cultura e pela defesa do cinema como instrumento de transformação social. Sua obra recebeu reconhecimento em importantes festivais nacionais e internacionais, incluindo Cannes, Havana, Gramado, Brasília, Taormina e Pesaro, além de premiações na televisão britânica.

Orlando Senna. Foto: Walli Fontanelli
Entre seus trabalhos mais emblemáticos está o clássico “Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975), dirigido ao lado de Jorge Bodanzky e considerado uma das obras mais importantes do cinema brasileiro. Também assinou filmes como “Diamante Bruto” (1977), “Brascuba” (1987) e “A Construção da Morte” (1969), além de atuar como roteirista, escritor e gestor público.
Sua contribuição ultrapassou as telas. Orlando Senna foi diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños, em Cuba, secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura e participou da criação da TV Brasil, consolidando-se como um dos principais articuladores das políticas públicas para o audiovisual no país.
Filho de Lençóis, Orlando Senna nunca deixou de manter vínculos com sua terra natal. A Chapada Diamantina esteve presente em sua obra, em sua literatura e em seu olhar sobre o Brasil. Entre seus livros estão “Os Lençóis e os Sonhos”, publicado em 2009, e “Um Gosto de Eternidade”, de 2006, obras que ajudam a compreender sua profunda relação com o território chapadeiro.
Em 2018, após um longo período dedicado à gestão cultural e à escrita, Orlando retornou aos sets de filmagem para dirigir “Longe do Paraíso”, longa-metragem gravado na Chapada Diamantina e produzido pela Araçá Azul, da também lençoense Solange Lima. Inspirado no mito bíblico de Caim e Abel, o filme utilizou as paisagens do interior baiano como cenário para uma narrativa marcada por conflitos familiares e questões universais.

Orlando Senna atrás das câmeras. Foto: Renata Semayangue
Foi durante as gravações de “Longe do Paraíso” que o Guia Chapada Diamantina teve a oportunidade de entrevistar Orlando Senna, em um encontro realizado no Hotel Canto das Águas, em Lençóis. Na ocasião, o cineasta falou sobre sua volta ao cinema, sua relação com a Chapada Diamantina e os desafios da produção audiovisual brasileira.

Jornalista Thais de Albuquerque entrevista Orlando Senna em 2018. Foto: Walli Fontanelli
Orlando Senna deixa uma obra vasta e multifacetada, que inclui cinema, literatura, televisão, formação de novos profissionais e gestão cultural. Mais do que um cineasta premiado, foi um pensador da cultura brasileira, um defensor da diversidade de narrativas e um dos maiores embaixadores da Chapada Diamantina no cenário nacional e internacional.
Seu legado permanece vivo em seus filmes, livros, ideias e na memória de todos que tiveram a oportunidade de conhecer seu trabalho. Para a Chapada Diamantina, sua partida representa a despedida de um de seus filhos mais ilustres, cuja trajetória ajudou a contar ao mundo a riqueza cultural, humana e simbólica deste território.
A equipe do Guia Chapada Diamantina lamenta profundamente a partida de Orlando Senna e se solidariza com familiares, amigos e admiradores de sua obra. Mais do que um dos grandes nomes do cinema brasileiro, Orlando foi um filho ilustre de Lençóis que levou a Chapada Diamantina para o mundo por meio de sua arte, de suas palavras e de seu olhar sensível sobre a cultura e a condição humana. Seu legado permanece vivo nas telas, nos livros, nas memórias e na inspiração que deixa para as futuras gerações. Que sua trajetória continue iluminando os caminhos da cultura brasileira, assim como as montanhas e os horizontes da terra que o viu nascer.

Jornalista Thais de Albuquerque presenteia Orlando Senna com o Guia Chapada Diamantina, em 2018. Foto: Walli Fontanelli
Por Thais de Albuquerque em 10/06/2026.