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sábado, 15 abril, 2017 às 13:55 | Atualizado em: 15 abril, 2017 às 13:57

Raimundo Sodré: “Amor é poesia”

Em entrevista, o cantor falou sobre música contemporânea, meio ambiente e educação.


Por Louise Pita


De passagem por Lençóis neste feriadão, o cantor Raimundo Sodré faz show na cidade neste sábado (15). Com 69 anos de idade, após longa passagem pela França, cinco casamentos e muita história para contar, Sodré se mantém jovem no espírito e no exercício de sua arte: é uma expressão ímpar na Bahia.

Natural de Ipirá, o artista veio ao mundo em uma madrugada de julho, ao som dos atabaques. Mais tarde, este seria também seu primeiro instrumento: “Quando tinha oito anos, estava na casa de minha tia Isaura quando Augusto Carixá, ogã do terreiro do Bate Folha, me ensinou a tocar o instrumento”, relembra Raimundo. A partir daí, o rapaz começou a praticar os ritmos até chegar ao violão, que aprendeu a tocar com 16 anos, tendo sua mãe como mestra.

Morando em Santo Amaro, e passando as férias e finais de semana com a tia em Ipirá, Sodré percebeu desde muito cedo a dureza da seca e a importância das águas para o ciclo da vida. “Em Ipirá, era sempre muita seca: a água tinha cor de leite, tudo era marrom, tínhamos que andar 4 km com baldes na cabeça para ter um pouco de água”, lembra. Toda esta vivência o deixou preocupado com a questão ambiental e ecológica, tema recorrente nas suas composições. Seu mais recente disco “Girassóis de Van Gogh (2012)”, aborda a temática em músicas como Rumo das Águas e Por que?.

Outra questão que também preocupa o artista é a qualidade da música brasileira e baiana que é feita hoje em dia. “Estamos perdendo nossas raízes, e boa parte disto se deve à maneira como a mídia desvaloriza as nossas tradições e oferece sempre conteúdo de baixa qualidade. Na TV, o show business oferece à grande massa um forró que não tem nada de forró, cheio de instrumentos eletrônicos, numa maneira até meio americanizada. As letras são vulgares e falam de sexo e mulheres de maneira pornográfica. Amor e sexo não é nada disso. Amor não é pornografia, é poesia!”, defende o cantor. “O que quero é mostrar ao Brasil e ao mundo como fazer uma festa só com três instrumentos, com letra e ritmo!”, diz.

Há mais de 40 anos divulgando a cultura baiana em todo o mundo com seu vasto repertório de chulas, sambas, baiões, aboios e outros ritmos, Raimundo Sodré cumpre sua promessa de preservar as raízes e cultura sertaneja nordestina fazendo a maior festa.


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