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sexta-feira, 5 julho, 2019 às 15:37 | Atualizado em: 5 julho, 2019 às 15:49

Mel orgânico da Chapada Diamantina comprova isenção de contaminação

Associação de Apicultura do Vale do Capão comemora o resultado


com informações da Associação de Apicultura do Vale do Capão


As 55 amostras de mel orgânico enviadas para análise laboratorial foram negativadas quanto à presença de resíduos de Fipronil, Tiametoxam, Dinotefuran, Imidaclopride, Nitenpiram, Acetamiprode, Tiacloprid e Glifosato. As análises foram feitas em lotes produzidos pela Associação de Apicultura do Vale do Capão entre 26 de abril de 2018 e 08 de abril de 2019 nos municípios de Lençóis, Palmeiras, Seabra e Iraquara.

Mel colhido pela Associação de Apicultura do Vale do Capão. Foto: Acervo Associação

Segundo o novo Presidente da Associação, Paulo Henrique Pereira de Aquino, o mérito deste resultado vai, em primeiro lugar, para os produtores rurais da região, que em grande maioria ainda se abstêm de utilizar agrotóxicos. “Ao redor dos locais onde colocamos as nossas colmeias não pode existir nenhuma cultura agrícola que aplica venenos, e precisamos cumprir mais de 03 quilômetros de distância também de outras fontes de contaminação, como zonas industriais e urbanas, lixões e estações de tratamento de esgoto.” A participação nesta pesquisa, que também analisou amostras de mel de outras regiões da Bahia, se deu justamente pela curiosidade em se obter a confirmação científica pela pureza dos méis produzidos na Chapada.

Membros da Associação de Apicultura do Vale do Capão. Foto: Acervo Associação

RESULTADO
O resultado é comprovado por meio da Nota Técnica 04/2019, emitida pela Universidade Federal do Vale do São Francisco em Petrolina-PE, em parceria com a Universidade de São Paulo, na cidade de Ribeirão Preto-SP. Esta Nota foi assinada por uma das colaboradoras da proposta, a Dra. Aline Candida Ribeiro Andrade e Silva (responsável pelo transporte e armazenamento dos lotes), Pesquisadora em Ciência da Terra e Meio Ambiente e Pós doutora em Genética e Evolução de Insetos (Cemafauna – UNIVASF). As amostras já estão disponíveis para análise completa na Universidade de Cardiff na Inglaterra, a ser divulgado a posteriori com o maior número possível de contaminantes potenciais do mel.

Meis em análise. Foto: Acervo Associação

CONTROLE INTERNO
Lars Rellstab, responsável pelo Controle Social dos 31 Apicultores certificados exemplifica: “No caso da certificação orgânica o processo só inicia quando você dispõe efetivamente de uma área grande sem contaminação e continua com o requerimento para Inspeção. Em visitas pelo menos anuais uma Certificadora independente visita a Associação e inspeciona todos os novos produtores e uma amostragem dos apicultores antigos, e aprova apenas os apiários e produtores que de fato cumprem a Lei Federal Nº 10.831 de 2003 que dispõe sobre a Agricultura orgânica no Brasil”.

RASTREABILIDADE
Pedro Constam, membro do SCI, destaca o papel da Rastreabilidade implantada na Associação, responsável pela separação do Mel orgânico do Mel comum, que representa cerca de 35% do volume total: “Monitoramos a região por satélite e visitamos os produtores com frequência sempre de olho na abertura de roças novas que poderiam comprometer a qualidade orgânica de um apiário. O mel de regiões onde não temos este controle é envasado em embalagens diferenciadas de 750 e 1.370g e não recebe o Selo de conformidade orgânica.”
O mesmo trabalho conduzido pela UNIVASF também analisou 23 amostras de Mel “convencional” produzidas pela Associação: 11 apresentaram resíduos de apenas um herbicida, o glifosato, ainda que em proporções muito pequenas, (08 amostras abaixo de 0,37%, e apenas 03 amostras acima: 0,91%, 1,33 e 3,21%; a tolerância em mel comum é de 5,0%). Constam disse que vai averiguar o quê, de fato, contaminou o mel nestes apiários e caso o causador não possa ser identificado ou convencido a parar de usar o produto, recomendará ao produtor a migração de suas colmeias. Por outro lado, ele comemora o fato de que algumas regiões não certificadas, a exemplo de apiários em Boninal, Iraquara e Novo Horizonte, também não tiveram agrotóxicos detectados nas amostras podendo ser contempladas pela Auditoria orgânica já na próxima Inspeção anual.

Manejo de colmeias. Foto: Acervo Associação

Foto: Acervo Associação

BENEFICIAMENTO
Neste primeiro semestre, a Associação beneficiou 20,7 toneladas de mel produzidas por 61 Apicultores em 8 municípios. A Associação busca favo por favo nos apiários e os conduz em veículo próprio para a Casa de Mel localizada no Vale do Capão, única estrutura com Selo de Inspeção Federal no território Chapada Diamantina. Lá acontece a centrifugação, decantação, classificação, envase e rotulagem do Mel sob os cuidados de Roberval Santos Neves. Segundo Ró – como é conhecido -, todas as precauções para manter separado o Mel orgânico do Mel comum estão sendo tomadas também na Unidade de Beneficiamento, que recentemente implantou o Progr ama de APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle).

Foto: Acervo Associação

PARCERIAS
Os membros da Associação estão cientes que, mediante o avanço da fronteira agrícola, será cada vez mais difícil de encontrar áreas “orgânicas” para a Apicultura. Por isto, divulgam e apoiam movimentos da sociedade civil e fecham parcerias com quem pratica a Agricultura orgânica, a exemplo da Fazenda Bioenergia no município de Lençóis, que em seus 3,5 mil Hectares de Mata nativa abriga cerca de 200 colmeias de seis Associados. A apenas 10 km do local, outros seis apicultores da comunidade quilombola do Remanso também participam da Associação, e regularmente chamam a equipe técnica para colher.

POTENCIAL
Na análise de Pedro Constam, que também é Diretor da Federação Baiana de Apicultura e Meliponicultura (FEBAMEL) a Apicultura e Meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão) ainda devem crescer muito na região: “A Chapada Diamantina é rica em flora e fauna, além da espécie Apis melífera encontramos ainda em certa abundância abelhas das espécies Mandaçaia, Uruçú, Jataí, Iraí e Tubí, para citar só as mais frequentes. Apesar de uma crise momentânea no Mercado do Mel, toda iniciativa de criar abelhas com ou sem ferrão leva no mínimo a melhoria da saúde da família do próprio produtor, que passa a consumir mel e pólen e remediar enfermidades e infecções com os produtos da colmeia, a exemplo da Própolis.”

Foto: Acervo Associação

 



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