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segunda-feira, 26 novembro, 2018 às 15:01 | Atualizado em: 26 novembro, 2018 às 15:32

Cupinzeiro gigante de quatro mil anos é descoberto no nordeste brasileiro

A área ocupada pelos montes criados pelos cupins é maior do que a Grã-Bretanha


Com informações do History


Um cupinzeiro gigante foi descoberto por pesquisadores no nordeste do Brasil. A área ocupada pelos montes criados pelos cupins é maior do que a Grã-Bretanha. Segundo os especialistas, a estrutura tem cerca de quatro mil anos. Um dos autores do estudo foi o biólogo Roy Funch, figura conhecida na Chapada Diamantina.

Os montes cônicos (também conhecidos como murundus) medem cerca de 2,5 metros de altura por 9 de largura e cobrem um total de 230 mil quilômetros quadrados na caatinga, entre a Bahia e parte de Minas Gerais. De acordo com os pesquisadores, os insetos escavaram mais de 10 quilômetros cúbicos de terra.

A análise de amostras do solo indica que os montes foram criados entre 690 e 3820 anos atrás. Apesar de ser visível pelo Google Earth, a maior parte da estrutura fica escondida pela vegetação do semi-árido nordestino. “Esses montes foram formados por uma única espécie de cupim, que escavou uma enorme rede de túneis que permitem com que os insetos acessem folhas mortas para consumi-las em segurança”, disse o entomologista Stephen Martin, da Universidade de Salford, no Reino Unido.

Ao contrário do que muitos podem imaginar, os montes não são ninhos dos cupins, mas resíduos das escavações dos túneis. “Aparentemente, este é o mais extenso esforço em bioengenharia no mundo feito por uma única espécie de insetos”, disse o biólogo Roy Funch, da Universidade Estadual de Feira de Santana, um dos autores do estudo publicado na revista Current Biology. O vídeo abaixo mostra imagens da estrutura:

Cupinzeiro pode ser visto do espaço
Astronautas que chegam à Estação Espacial Internacional, que orbita a atmosfera da Terra, podem “ver” do alto não apenas as Grandes Pirâmides do Egito e os geóglifos de Nasca, no Peru, mas também os cupinzeiros nordestinos, que medem o equivalente a quatro mil Grandes Pirâmides de Gizé, no Egito.

Roy Funch

Na década de 1980, o biólogo Roy Funch já tinha escrito sobre esses cupinzeiros em uma revista científica. Depois de trinta anos, os cientistas decidiram dar continuidade à pesquisa.

Nascido no Arizona, nos Estados Unidos, o biólogo e doutor em botânica Roy Funch escolheu viver em nosso país em 1977, como voluntário do Corpo da Paz (Peace Corps), grupo norte-americano que presta serviços aos países em desenvolvimento, com base no intercâmbio cultural.
Ao lado de três especialistas em animais, Roy foi trabalhar com planos de manejo nos parques nacionais, através do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), atual Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Pouco tempo depois, escolheu viver em Lençóis, na Chapada Diamantina, onde se encantou com o meio de vida dos garimpeiros, além da rica biodiversidade da região, tornando-se guia.

Roy com um dos seus amigos garimpeiros, nos anos 80. Foto: Acervo Pessoal

Foi durante uma caminhada na trilha de Lençóis ao Vale do Capão que o biólogo pensou: “Se fosse na Europa ou nos EUA isso aqui certamente seria um Parque Nacional! Como eu havia trabalhado com o IBDF, a primeira coisa que fiz foi escrever uma carta, em 1979, para Brasília e comecei a fazer campanha sozinho. Os contatos que eu tive como guia, com representantes do poder público (senadores, governadores…) contribuíram diretamente para a criação do Parque, que aconteceu seis anos depois, em setembro de 1985”, declara.
Sequence 01.Still006Primeiro diretor do Parque Nacional da Chapada Diamantina, Roy permaneceu no cargo por seis anos e logo se tornou cidadão brasileiro. “Passei o tempo todo espalhando a palavra do Parque, como um evangelista, e tentando ser visível para as pessoas. Era apenas eu! Uma das ações que fizemos foi diagnosticar a situação da coleta da sempre-viva. Mas não instituímos nenhuma mudança, naquele momento”, pontua. Dentre os cargos públicos que ocupou, esteve o de fiscal do garimpo, secretário de turismo e do meio ambiente.

Autor de livros e diversos artigos científicos, Roy Funch tem uma vasta bibliografia. Para os que ficaram com um gostinho de quero mais e pretendem se aprofundar na história dessa personalidade, bem como da Chapada Diamantina, selecionamos algumas opções de leitura:

 

Chapada Diamantina: Uma reserva natural

Um Guia para a Chapada Diamantina

Serra do Sincorá: Parque Nacional da Chapada Diamantina

Plantas úteis – Chapada Diamantina

100 flores nativas do Parque Nacional da Chapada Diamantina

Leia também Parque Nacional da Chapada Diamantina completa 30 anos de existência e assista à entrevista com Roy Funch no nosso canal do Youtube.



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