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sexta-feira, 29 maio, 2020 às 13:48 | Atualizado em: 29 maio, 2020 às 16:45

Cineastas da Chapada Diamantina homenageiam Conceição Senna

A atriz, documentarista e escritora é referência cultural na região


Redação Flora


Na última quarta-feira, dia 27 de maio, o cinema nacional e baiano se despediram da atriz, diretora e professora Conceição Senna de 83 anos.. Atriz de “Iracema, uma Transa Amazônica”, “Diamante Bruto, “Abrigo Nuclear”, “Gitirana” e tantos outros, Conceição é referência cultural na Chapada Diamantina. Foi homenageada por cineastas e pela produtora independente Cinepoétyka Filmes, com sede em Lençóis, através de um vídeo que mostra umas das participações de Conceição Senna no Cineclube Fruto do Mato, que acontece anualmente em Lençóis.

Atriz, documentarista e escritora Conceição Senna
Nascida em Valente, no sertão da Bahia, onde viveu até a adolescência, Conceição Senna mudou-se para Salvador nos anos 1960, onde participou na intensa revolução cultural baiana liderada por seu amigo Glauber Rocha (Cinema Novo, Tropicalismo). Como atriz, morando e trabalhando em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Havana, atuou em cerca de 30 espetáculos de teatro, entre eles o histórico “Teatro de Cordel”, e mais de 20 filmes, entre eles o clássico “Iracema-Uma Transa Amazônica”.
Morou em Cuba durante 10 anos, junto a Orlando Senna, onde criou e apresentou o programa de televisão “Ventana al Sur”, líder de audiência no país durante todo o tempo em que lá esteve, o que lhe proporcionou uma grande popularidade na ilha caribenha.
Leia também: Entrevista com Orlando Senna grava “Longe do Paraíso”, seu novo filme, na Chapada Diamantina

Conceição Senna. Foto: Google

De volta ao Brasil nos anos 1990, continuou atuando como atriz e dirigiu documentários, com destaque para os premiados “Memória do Sangue”, sobre Canudos, e “Brilhante”, sobre a possibilidade de um filme mudar o destino de uma comunidade. Também dirigiu “Anjos de Ipanema”, sobre o movimento hippie no Rio de Janeiro.

Orlando e Conceição Senna. Foto: Google

Em 2018 lançou o eBook de contos “Ser tão mulher”, disponível na Amazon. Também publicou o misto de romance e memória “A menina, a guerra e as almas”, sobre sua infância em Canudos, terra de Antonio Conselheiro.
Conceição e Orlando atuaram juntos durante mais de meio século, inclusive na fundação e desenvolvimento da Escola de Cinema e TV de Cuba, uma das melhores do mundo, da qual ela é considerada pelos alunos e ex-alunos como “a madrinha da Escola”.

A trajetória da atriz-cineasta e do companheiro Orlando Senna chegará, ano que vem, aos cinemas (ou ao streaming) como foco central do documentário “O Amor Dentro da Câmera”, das diretoras baianas Lara Belov e Jamille Fortunato (Tenda dos Milagres Produções Artísticas).

Orlando e Conceição Senna. Foto: Google

Seu falecimento, em plena atividade e com 83 anos de idade, ocorreu no dia 27 de maio, no Rio de Janeiro, por causas naturais.

“Por um instante as cortinas do palco dos SENNAS se fecharam. Conceição seguirá em cana nos nossos corações, nas películas, nos livros e nas nossas almas. Um ser encantado não morre, encanta-se, transcende e explode em luz.
Conceição que nos seus personagens sempre encarnou a IMAGEM DA TERRA E DO POVO, sertaneja de lugar algum como ela costumava dizer, despediu-se da matéria para viver em espírito.”
Trecho da homenagem de Solange Lima, cineasta lençoense, da Produtora Araçá Filmes.

“ ‘O cinema eterniza as pessoas’, disse uma vez Conceição. Sábias palavras de quem agora virou estrela para também se eternizar.
Estrela dos filmes, dos palcos, das ruas e paisagens do Brasil.
A baiana sonhadora que ganhou o mundo com sua arte, agora é Brilhante, é Diamante, porque, enfim, Ser tão Mulher e menina.
Deixa-nos a certeza de que o amor sempre vencerá.
Apesar de tudo, vencerá.
Obrigado, Conceição.”
refletiu o cineasta Juca Badaró, da Cinepoétyka.

“Divas são estrelas.
Hoje, ela brilha no céu.
Conceição Senna, a musa dos filmes de Orlando. Tão linda, tão carinhosa comigo, por entendermos os amores, ela sorria. Pediu que lesse seu livro de contos “Ser tão mulher”, e retornasse, eu não dei retorno a tempo.
Quando uma mais velha lhe pede algo, faça. Guardarei sua vitalidade, força, beleza e o livro…”
escreveu a produtora de cinema Renata Matos, da Cinepoétyka.

“Uma das mulheres mais incríveis que tive a honra de conhecer. Escritora, cineasta, atriz, infinitas qualidades. Deixa centenas de “filhos” da 7 arte hoje e sou um deles. Vá em paz queridona!”
comentou o cineasta Uirá Meneses, da Duas Luas Filmes.

A equipe Flora Comunicação sente-se profundamente grata a toda a relevância de Conceição Senna e Orlando Senna na cultura regional. _/\_



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