O conjunto de tradições da Chapada Diamantina é especial. Tecidas por diferentes grupos culturais, as manifestações populares da região se materializaram em forma de mitos, festividades e rituais. Apesar de diferentes, estas expressões preservam a identidade do seu povo, sendo passada de geração a geração.

As manifestações tradicionais mais importantes estão extremamente ligadas a festas religiosas e, geralmente, trazem heranças das crenças dos garimpeiros ou escravos. Hoje elas ocorrem com mais frequência, nas comunidades rurais.

Folia de Reis

Para quem gosta de samba regional, não há como deixar de conhecer esta tradição secular. A Folia de Reis consiste em um grupo de pessoas que sai de porta em porta para homenagear os três reis magos, geralmente na véspera do Natal (24/12) e vai até o dia 6 de janeiro. Elas tocam, cantam e dançam.

Reisado, em Iraquara. Foto: Caiã Pires

Reisado, em Iraquara. Foto: Caiã Pires


Marujada

Um grupo de homens vestidos de branco e azul, como marujos, desfilam pelas ruas cantando e dançando músicas que fazem alusão ao mar, às batalhas e aos santos da Igreja Católica. Em Lençóis, é possível conferir esta manifestação cultural na Festa do Senhor dos Passos, que ocorre no fim de janeiro.

Marujada, em Lençóis. Foto: Caiã Pires

Marujada, em Lençóis. Foto: Caiã Pires


Samba de Roda

Seu som contagiante, dançado pelas baianas com suas saias rodadas, é produzido por um conjunto de pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho. O Samba de Roda emergiu no Recôncavo baiano no século XIX e foi um forte propagador dos conhecimentos da cultura africana, como a capoeira e o culto aos orixás.


Boi Estrela de Igatu

O bumba meu boi é considerado patrimônio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). É uma dança do folclore popular brasileiro, com personagens humanos e animais, tendo influência de diversas tradições, dentre elas as africanas, indígenas e europeias, além das festas religiosas católicas. Ao espalhar-se pelo país, desde o século XVIII, no período do ciclo do gado, adquiriu distintas formas de apresentação, bem como nomes, ritmos, indumentárias e adereços. Em Igatu, a organização social “Gerais” criou o Movimento Cultural Boi Estrela de Igatu em 2007, durante as comemorações de São Sebastião (padroeiro do distrito). O nome se refere ao brilho dos diamantes.

Boi Estrela de Igatu. Foto: Dmitri de Igatu

Boi Estrela de Igatu. Foto: Dmitri de Igatu


Terno das Almas

É uma das mais importantes manifestações culturais do distrito de Igatu e de outros municípios da região. Trata-se de um ritual que ocorre durante o período da quaresma. À noite, os moradores saem pelas ruas e cemitérios, envoltos em lençóis brancos, para entoar cânticos de louvor aos mortos. Também é conhecida como “Lamentação das Almas” e foi considerada patrimônio imaterial da Chapada Diamantina.

Terno das Almas, em Igatu. Foto: Thalison Ribeiro

Terno das Almas, em Igatu. Foto: Thalison Ribeiro


Terno das Pescadoras

Manifestação cultural promovida em Andaraí por Dª. Zélia Costa Silva, em parceria com o grupo “Feliz Idade” e mais 40 mulheres, as quais chamam de comadres. O Terno das Pescadoras ressalta a importância dessa atividade em meio ao uso das águas do Rio Paraguaçu e seus afluentes na vida econômica da comunidade andaraiense. Através de cantigas, cirandas e marchinhas, o grupo, com seu rico figurino e coreografias, expressa a riqueza do Patrimônio Imaterial Local e do Território da Chapada Diamantina.


Jarê

Religião de matriz africana, mais especificamente um candomblé de caboclo, o Jarê é exclusivo de alguns municípios da Chapada Diamantina. Uma de suas principais particularidades é o grande sincretismo religioso, com influência do catolicismo, da umbanda e do espiritismo kardecista. As origens do culto remontam ao século XIX e estão ligadas ao período da mineração, com prática marcante entre os garimpeiros. Atualmente, é possível conhecer a religião no Palácio de Ogum, casa de santo situada em Lençóis, próximo ao Rio Capivara, onde é possível acompanhar as festas dos orixás. Os principais cultos ocorrem em 04 de maio (Dia de Ogum); 25 de agosto (Dia de Oxalá); 04 de dezembro (Dia de Iansã e Fogueira de Odé); 07, 17 e 27 de setembro (Cosme e Damião). Informações: +55 (75) 99979-9702 (Sandoval).

Jarê, em Lençóis. Foto: Roberto Rodrigues

Jarê, em Lençóis. Foto: Roberto Rodrigues


Capoeira

Em praticamente todos os municípios da Chapada Diamantina, existem grupos de capoeira que se apresentam nos centros das cidades, geralmente nos fins de semana. Considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco, a roda de capoeira mescla aspectos de dança e luta, em meio à musicalidade afro-brasileira. A atividade foi disseminada no Brasil através dos africanos, que tinham, na capoeira, uma forma de lazer e resistência.

Grupo Corda Bamba de Capoeira, em Lençóis. Foto: Açony Santos

Grupo Corda Bamba de Capoeira, em Lençóis. Foto: Açony Santos


Fanfarras e Filarmônicas

Grupos musicais fazem parte do dia a dia na Chapada Diamantina. No fim da tarde, é comum ouvir o ensaio das fanfarras e filarmônicas, que se apresentam principalmente em datas comemorativas, como os aniversários das cidades, festas religiosas e populares. Vale a pena prestigiar os conjuntos e até fazer uma visita à sede das filarmônicas, que, em geral, estão situadas em construções seculares. A Orquestra Filarmônica Lira dos Artistas, em Rio de Contas, por exemplo, funciona na casa que pertenceu a um coronel e mantém a arquitetura do período áureo do garimpo.

Fanfarra de Lençóis. Foto: Caiã Pires

Fanfarra de Lençóis. Foto: Caiã Pires


 

Lavagem da igreja na Festa do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, em Lençóis

Durante onze dias, turistas e moradores de Lençóis festejam Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, o padroeiro dos garimpeiros. A comemoração é iniciada com a tradicional lavagem da escadaria da Igreja, que começa com um cortejo que sai da sede da Sociedade União dos Mineiros (SUM), formado pelo grupo de baianas, garimpeiros e devotos. Os festejos estendem-se até o dia 2 de fevereiro e contam com apresentações culturais.

Um pouco de história
Em 1852, a imagem do Senhor dos Passos veio de Portugal, deixou a cidade de Cachoeira e percorreu o sertão baiano, chegando à região das Lavras Diamantinas, através do Rio Paraguaçu. A recepção foi realizada por um cortejo de garimpeiros, que a conduziu até Lençóis.
A partir de então, iniciou-se o costume de festejar a chegada do santo, que se tornou o padroeiro dos garimpeiros. O hábito se transformou na maior tradição regional.

Lavagem da Igreja. Foto: Thais de Albuquerque.

 


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